Negócios, impacto social, cultura, finanças, NR-1 e IA: confira tudo o que marcou o terceiro dia da SRE 2026

Negócios, impacto social, cultura, finanças, NR-1 e IA: confira tudo o que marcou o terceiro dia da SRE 2026

O último dia da Super Rio Expofood (SRE) 2026 consolidou a diversidade de temas que marcaram toda a feira: da geração de negócios ao papel social do varejo supermercadista, passando por gestão, dados, legislação e tendências globais. A programação reuniu lideranças do setor, especialistas e nomes de destaque em uma jornada intensa de conteúdo e conexões.

Logo nas primeiras horas, o ritmo já era acelerado com a Rodada de Negociação do Prezunic. O encontro reuniu colaboradores da rede e parceiros da indústria em um ambiente de integração e alinhamento estratégico. Durante a apresentação, o diretor geral, Gerson Estevam, e a diretora comercial, Patrícia Rotelli, reforçaram o compromisso da empresa com inovação, crescimento sustentável e fortalecimento das relações com fornecedores, destacando a importância do evento como catalisador de oportunidades de negócios.

No palco Convenção Américas, a abertura trouxe um tom inspirador ao reunir fé, empreendedorismo social e responsabilidade coletiva. O painel contou com a participação do Padre Omar e do David Hertz, que discutiram o papel transformador do varejo supermercadista nas comunidades. A principal mensagem foi clara: supermercados vão além da função comercial e se consolidam como espaços de convivência e impacto social. Para Hertz, o setor tem potencial estratégico na construção de uma sociedade mais justa, atuando desde a cadeia produtiva até o relacionamento com colaboradores e consumidores.

Na sequência, o escritor Fabrício Carpinejar trouxe uma abordagem mais humana com a palestra “A Arte de Conectar Gente: Construindo Culturas Inquebráveis”, destacando a importância das relações, da cultura organizacional e da empatia na construção de equipes sólidas e resilientes.

Encerrando o palco Convenção Américas, o chef e empresário Henrique Fogaça apresentou uma palestra marcada por relatos pessoais e aprendizados práticos sobre disciplina, liderança e gestão. Ao traçar um paralelo entre a cozinha profissional e o ambiente corporativo, Fogaça destacou a importância do planejamento, da adaptação constante e do controle de qualidade. “A cozinha precisa de organização, mas também de atenção total às mudanças. O mise en place e a relação com fornecedores são fundamentais para garantir consistência”, afirmou.

Já no palco Varejo & Negócios, o foco esteve nos pilares estratégicos que sustentam a competitividade das empresas. Na palestra sobre estrutura financeira, Tiago Martinelli destacou o papel dos braços financeiros próprios e dos FIDCs como ferramentas para captura de valor. Segundo ele, empresas que internalizam suas operações financeiras deixam de transferir margens para instituições externas e passam a transformar o financeiro em um motor de rentabilidade.

Na sequência, a advogada Bárbara Ferrari trouxe um alerta importante sobre a atualização da NR-1. A especialista ressaltou que a norma passa a incorporar riscos psicossociais, refletindo o aumento dos adoecimentos mentais relacionados ao trabalho. Com fiscalização mais rigorosa prevista para começar em 26 de maio, ela reforçou a necessidade de as empresas transformarem a norma em cultura organizacional, e não apenas em obrigação legal.

O uso de dados como diferencial competitivo foi o tema da apresentação de Priscila Ariani. Com a palestra “Somos todos vendedores: dados que movem o lucro”, a executiva destacou que, no varejo supermercadista, todas as áreas impactam diretamente as vendas. Para ela, o desafio não é apenas vender mais, mas vender melhor, fidelizando o consumidor e aumentando margens a partir de decisões orientadas por dados.

Encerrando o ciclo de conteúdo do palco, Lucas Daibert apresentou tendências globais na palestra “Retail Trends 2026: o varejo para além da IA”. O executivo destacou que a transformação do setor vai além da tecnologia e está profundamente ligada ao comportamento do consumidor. Um dos pontos centrais foi a disputa pela interface digital, com a ascensão de sistemas de inteligência artificial que passam a mediar a relação entre consumidores e o ambiente online, redefinindo a dinâmica de busca, consumo e relacionamento.

Com uma programação plural e estratégica, o último dia da SRE 2026 reforçou o protagonismo do varejo supermercadista como agente econômico e social. Entre negócios, inovação e propósito, o evento encerra sua edição deixando claro que o futuro do setor passa pela integração entre tecnologia, humanidade e colaboração.

Chef Henrique Fogaça encerra Convenção das Américas na SRE com lições de gestão, disciplina e cultura de resultado

Chef Henrique Fogaça encerra Convenção das Américas na SRE com lições de gestão, disciplina e cultura de resultado

O chef Henrique Fogaça encerrou os painéis da Convenção das Américas na 36ª edição da SRE – Super Rio Expofood, na tarde desta quinta-feira (19), no Riocentro, com uma palestra marcada por relatos pessoais e reflexões sobre disciplina, liderança e gestão de negócios. Diante de um auditório cheio, o jurado do MasterChef Brasil fez um paralelo entre a rotina da cozinha profissional e os desafios enfrentados por empresários do food service e do varejo. Logo no início, Fogaça relembrou as dificuldades do começo da carreira e destacou a importância da organização e do controle de qualidade dentro da operação. 

“A cozinha precisa de planejamento, mas a gente sabe que nem sempre é o que vai acontecer. Na cozinha, é importante estar antenado e alerta para qualquer modificação que possa acontecer. Por isso, é importante o mise en place, na produção do restaurante, nos ingredientes que chegam, educando o fornecedor”, afirmou. 

União faz a diferença dentro das empresas
Segundo ele, manter o padrão exige rigor no recebimento de insumos. “Já cansei de devolver ingredientes que não chegavam no padrão”, declarou o chef. Ao falar sobre liderança no setor,  Fogaça destacou que um bom gestor precisa compartilhar conhecimento e trabalhar junto com a equipe. 

“Um chef de cozinha vai seguir a cartilha de um restaurante a risca. Um bom líder já compartilha conhecimento com os cozinheiros. Eu puxo as pessoas para pensarmos juntos. A liderança vem com exemplo, não só com ordem”, disse. 

Fogaça também ressaltou que a fidelização do público passa pela experiência oferecida ao cliente, algo que, segundo ele, conecta diretamente o food service ao varejo supermercadista. Para o chef, qualidade, preço e atendimento precisam caminhar juntos: “A experiência se complementa com uma comida boa, um preço justo, mas, principalmente, pelo acolhimento”. 

Importância da criatividade no trabalho
Durante o painel, o empresário também falou sobre aprendizado ao longo da carreira e a importância de criar processos dentro da operação. “É difícil acertar de primeira, então o erro faz parte do acerto”, afirmou, ao lembrar como a organização da cozinha evoluiu com o tempo. “Pego o papel com meus cozinheiros e vamos ticando cada item da lista no restaurante, além de etiquetar, renovar e refazer o que é necessário”. 

Ao comentar sobre gestão de pessoas, Fogaça destacou a importância de oferecer perspectiva de crescimento dentro das equipes. “Tem muita gente que começou comigo limpando banheiro, se tornou cozinheiro e, atualmente, têm restaurante, mas ainda levam a forma como trabalho”, contou. Outro ponto enfatizado foi a força da simplicidade na gastronomia. Para o chef, pratos memoráveis não dependem necessariamente de ingredientes complexos, mas de técnica e atenção aos detalhes. 

A máxima ‘menos é mais’ prevalece
“Sempre falo que menos é mais e levo isso a risca na minha vida, no restaurante, no meu comportamento e no dia a dia. Um grande cozinheiro transforma alimentos simples em pratos memoráveis” Fogaça também alertou para os desafios da gestão financeira no setor e lembrou que muitos restaurantes fecham por falta de controle do negócio. “Muita gente acaba fechando restaurante por falta de conhecimento de gestão. O ganho está na compra. A compra tem que ser feita com um preço muito bom, porque se compra caro aqui, você não vai conseguir reverter no prato”, explicou. 

Ao falar sobre cultura de equipe, o chef destacou que todos precisam entender seu papel dentro da operação: “O negócio tem que ser intocável, não as pessoas. As pessoas que estão no ecossistema têm que seguir a cartilha do trabalho”, afirmou, lembrando que conflitos internos acabam impactando diretamente a experiência do cliente. 

Em tom motivacional, Fogaça relembrou o início da trajetória vendendo comida em pequenos pontos e incentivou os participantes a persistirem diante das dificuldades. “Eu ouvi muito não. De 10 lugares, 9 falava não, mas o um que falava sim, me dava força para continuar. O não faz parte”, disse. 

Conselhos de quem entende do assunto
Encerrando sua participação, o chef reforçou a importância de enfrentar desafios com planejamento e coragem para crescer. “Bata de frente com seu medo. Tem que tirar esse medo de crescer, mas com cautela, planejamento, menos é mais. Se organize, planeje e faça”, afirmou. 

Com bom humor e franqueza, Fogaça também agradeceu ao público e destacou a relevância da SRE – Super Rio Expofood para o setor. “Esse evento é maravilhoso gigante para as conexões entre muitas pessoas”, disse. Em tom direto, deixou um último alerta aos empresários presentes: “Ter cuidado na gestão, na operação e nos números é essencial, porque sem dinheiro na conta é caixão e vela preta”, concluiu o chef, com seu jeito firme e cativante.

Varejo além da IA: interface digital, comportamento e relacionamento redefinem o futuro do setor

Varejo além da IA: interface digital, comportamento e relacionamento redefinem o futuro do setor

A última palestra do terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) trouxe uma provocação sobre o futuro do setor. Com o tema “Retail Trends 2026: o varejo para além da IA”, o sócio e VP de Estratégia da Binder, Lucas Daibert, apresentou reflexões e insights da NRF Retail’s Big Show, destacando que a transformação do varejo não está apenas na tecnologia, mas principalmente na mudança de comportamento do consumidor.

A disputa pela interface digital

Logo no início, Daibert apontou que o grande movimento atual do mercado gira em torno do conceito de “agentes”, sistemas de IA que passam a intermediar a relação entre consumidor e mundo digital.

Segundo ele, durante mais de duas décadas, o Google dominou essa interface, concentrando buscas e monetizando por meio de anúncios. Esse cenário começou a mudar em 2022, com o surgimento do ChatGPT, que popularizou a inteligência artificial como interface direta de interação.

“O que mudou não foi a IA em si, mas o fato de ela ter virado a nossa interface com o mundo digital. Quem controla essa entrada pode controlar toda a jornada, inclusive a compra”, explicou.

Diante dessa mudança, o Google reposicionou sua estratégia, priorizando respostas dentro da própria plataforma e investindo em soluções como o Gemini, além de avançar em iniciativas como o Universal Commerce Protocol — um protocolo que busca integrar compras diretamente dentro das interfaces conversacionais.

Do clique à conversa: a nova jornada de consumo

A principal ruptura, segundo Daibert, está na forma como o consumidor toma decisões. Se antes a jornada era baseada em busca, comparação e clique, agora ela passa a ser guiada por intenção.

“Você não busca mais um produto, você descreve o contexto. A IA entende sua necessidade e entrega opções prontas”, destacou.

Dados apresentados na palestra indicam que cerca de 45% dos consumidores já utilizam IA generativa para apoiar decisões de compra — um número que tende a crescer com a integração total da jornada dentro dessas plataformas.

Nesse cenário, o consumidor deixa de ser explorador e passa a atuar como validador, aprovando ou rejeitando sugestões feitas pela IA.

Eficiência vira obrigação, não diferencial

Com a IA assumindo o papel de curadoria, a excelência operacional deixa de ser diferencial e passa a ser pré-requisito. “A operação eficiente é o mínimo. Se você não tiver isso, nem entra no jogo”, afirmou.

O novo diferencial competitivo, segundo o especialista, estará em fatores como confiança, relevância e conexão emocional com o consumidor.

Marcas precisam evitar virar “reféns do algoritmo”

Um dos principais alertas da palestra foi sobre o risco de empresas se tornarem dependentes das plataformas digitais.  “Se você não tiver relação direta com o consumidor, vira passageiro do algoritmo. Ele decide se você aparece ou não”, disse.

Nesse contexto, cresce a importância do modelo DTC (direct-to-consumer), no qual as marcas constroem relacionamento direto com o público, fortalecendo identidade e autonomia.

Storytelling: a tecnologia mais antiga e ainda essencial

Para Daibert, em um ambiente dominado por dados e tecnologia, o storytelling volta a ganhar protagonismo.

Ele citou ideias do Yuval Noah Harari para explicar que a capacidade humana de se organizar em torno de histórias foi o que permitiu a evolução da sociedade — e continua sendo essencial para a construção de marcas.

“As histórias são o que criam conexão e confiança. Isso não muda, mesmo com toda a tecnologia”, afirmou.

Do marketing unilateral à construção coletiva

Outro ponto destacado foi a transformação na relação entre marcas e consumidores. O modelo tradicional, baseado em comunicação unilateral, dá lugar a uma dinâmica mais aberta e colaborativa.

Hoje, consumidores participam da construção da narrativa da marca, influenciando diretamente produtos e posicionamento.

Casos apresentados na NRF mostram, por exemplo, produtos que se tornaram sucesso a partir de conteúdos espontâneos em redes sociais, reforçando o poder da influência distribuída.

“Day trading” do consumidor: decisões em tempo real

A velocidade das mudanças exige que empresas acompanhem o comportamento do consumidor em tempo real.

Daibert comparou esse cenário ao “day trading”, em que decisões são tomadas com base em variações constantes.

“O pulso do consumidor define o sucesso ou o fracasso. Fidelidade não existe — existe a ausência de algo melhor”, provocou.

Nova lógica: empresas construídas de fora para dentro

Com a abundância de dados, surge uma inversão na lógica de desenvolvimento de produtos e serviços. Em vez de criar internamente e lançar ao mercado, as empresas passam a construir soluções a partir do comportamento do consumidor.

Essa abordagem permite uma visão mais profunda, comparada pelo especialista a uma “lente macro”, capaz de revelar detalhes antes invisíveis.

Relacionamento como novo motor de crescimento

Além da tecnologia e dos dados, o palestrante destacou o papel estratégico do relacionamento. Parcerias com fornecedores, influenciadores e até clientes passam a ser fundamentais para gerar valor.

Exemplos apresentados incluíram:

  • marcas que cocriam produtos com consumidores;
  • empresas que transformam lojas em espaços de experiência;
  • negócios que crescem por meio de ecossistemas colaborativos.

Experiência e colaboração redefinem o varejo físico

Casos internacionais mostraram como o varejo físico está se reinventando. Empresas estão transformando lojas em hubs de experiência, combinando vendas, serviços e parcerias.

Um exemplo citado foi a Best Buy, que reverteu um cenário de crise ao transformar suas lojas em espaços de experimentação para marcas como Amazon, Samsung e Apple.

A estratégia reforça um princípio simples, mas poderoso: competir não é fazer melhor o mesmo — é fazer o que o outro não faz.

O varejo do futuro já começou

Encerrando a palestra, Daibert destacou que o futuro do varejo não será definido apenas pela adoção de tecnologia, mas pela capacidade de adaptação das empresas a um novo comportamento de consumo.

“A transformação não é sobre IA. É sobre pessoas. Quem entender isso primeiro sai na frente”, concluiu.

Fabrício Carpinejar emociona público na SRE ao falar sobre conexão humana, propósito e relações em tempos digitais

Fabrício Carpinejar emociona público na SRE ao falar sobre conexão humana, propósito e relações em tempos digitais

Vencedor do Prêmio Jabuti, o escritor e jornalista Fabrício Carpinejar emocionou o público da Convenção das Américas, realizada na 36ª edição da SRE – Super Rio Expofood, nesta quarta-feira (19), no Riocentro. Com a palestra “A Arte de Conectar Gente: Construindo Culturas Inquebráveis”, o autor, que tem mais de 50 livros publicados, conduziu uma reflexão sobre comportamento, relações humanas e propósito, temas que dialogaram com os desafios enfrentados por empresários do varejo supermercadista e do food service, setores que vivem diariamente a necessidade de criar vínculos reais com clientes e equipes.

Logo no início, Carpinejar chamou atenção para a dificuldade cada vez maior de viver experiências de forma plena, algo que impacta não apenas a vida pessoal, mas também a forma como as pessoas consomem, trabalham e se relacionam.

“A gente não sabe se o que aconteceu ontem foi no celular ou na vida real, porque a saudade não é tão forte e imponente como antes. Antes, morria de saudade; hoje se sente falta”, afirmou.
Segundo ele, a ausência de presença verdadeira faz com que as lembranças percam força, o que também se reflete na forma como clientes se conectam com marcas, lojas e restaurantes. “Se não tem memória, não tem saudade.”

O comportamento moderno diante das telas

Ao falar sobre o comportamento atual diante das experiências, o escritor citou situações comuns do dia a dia que também fazem parte do universo do food service e do varejo, onde a vivência do consumidor é determinante para fidelização.

“Você não assiste ao show, você filma o show. Você não saboreia a comida, mas tira a foto e deixa a comida esfriar”, disse, ao defender que a busca constante por registrar tudo impede que as pessoas realmente vivam o momento. Para ele, essa lógica contribui para o que chamou de “Alzheimer digital”, no qual tudo é registrado, mas pouco é sentido.

A reflexão avançou para o impacto desse comportamento nas relações profissionais e na cultura dentro das empresas. Em um evento voltado para supermercadistas, fornecedores e operadores do food service, Carpinejar destacou que equipes fortes e negócios duradouros dependem de presença, atenção e construção de significado.

“O ansioso esgota sua energia porque, para pequenos e grandes eventos, ele usa a mesma força. Por que não sabemos mais lidar com o silêncio, a espera, a expectativa?”, questionou.

O escritor também comparou o mundo atual com experiências de sua infância para mostrar como o excesso de velocidade e de estímulos mudou a forma como as pessoas lidam com o trabalho e com as relações. Ele lembrou que fazia parte de uma geração em que tudo exigia mais paciência e cuidado, valores que, segundo ele, continuam essenciais para quem quer construir algo sólido.

“Naquela época, quando o objeto quebrava, a gente consertava. Hoje, quando quebra, a gente joga fora”, afirmou, relacionando a cultura do descarte ao comportamento nas relações pessoais e profissionais.

Dedicação como pilar para o sucesso

Para o público formado por empresários e gestores, a mensagem foi clara: negócios também se enfraquecem quando falta dedicação, capricho e compromisso com o processo.

“Somos felizes quando existe capricho. Capricho é não querer se livrar, mas aproveitar a tarefa e fazer da melhor forma possível”, disse, destacando que resultados consistentes nascem da repetição bem feita, da atenção aos detalhes e do cuidado com as pessoas.

Outro ponto que gerou forte identificação na plateia foi sua visão sobre cultura organizacional e relações dentro das equipes, tema central do painel. Para ele, ambientes fortes são construídos com verdade, limites e respeito individual: “É aprender a dizer não. Não é antipatia, é autoproteção”, disse, defendendo que clareza e autenticidade são fundamentais para relações saudáveis dentro e fora das empresas.

A complexidade do tempo diante em uma rotina intensa

Em um dos momentos mais emocionantes da palestra, o escritor falou sobre tempo, prioridades e a ilusão de que sempre haverá outra oportunidade, mensagem que encontrou eco em um setor acostumado a lidar com decisões rápidas e rotina intensa.

“Eu sei o que nos impede da felicidade: acreditar que teremos todo o tempo pela frente”, afirmou.
Para ele, a falta de presença faz com que as pessoas deixem para depois aquilo que realmente importa, seja na família, no trabalho ou na construção de um negócio.

Encerrando sua participação, Carpinejar reforçou que conexões verdadeiras são o que sustentam tanto a vida quanto as empresas, especialmente em setores que dependem diretamente do contato humano, como supermercados, bares, restaurantes e serviços.

Ao se despedir do palco, o escritor destacou a importância de encontros como a SRE – Super Rio Expofood para fortalecer relações reais em um mundo cada vez mais digital, incentivando a valorização do presente, das pessoas e das experiências vividas.

Fé, propósito e impacto social marcam abertura do último dia da Convenção Américas na SRE Expo Food

Fé, propósito e impacto social marcam abertura do último dia da Convenção Américas na SRE Expo Food

A abertura do terceiro e último dia do palco Convenção Américas, na Super Rio Expofood (SRE), foi marcada por um encontro inspirador entre fé, empreendedorismo social e responsabilidade coletiva. O momento contou com a presença do Padre Omar e do David Hertz, fundador da Gastromotiva, em uma conversa mediada sobre o papel transformador do varejo supermercadista na sociedade.

Supermercados como agentes de transformação social

Durante o painel, foi destacado que os supermercados vão além de pontos de consumo e se consolidam como espaços de convivência e impacto social nas comunidades.

Para David Hertz, o setor tem um papel estratégico na construção de uma sociedade mais justa. “Os supermercados têm uma função social e corporativa. Desde o colaborador no dia a dia até o processo de construção do alimento, há inúmeras possibilidades de gerar impacto positivo”, afirmou.

O empreendedor também ressaltou a importância da articulação entre diferentes atores para viabilizar projetos de grande escala. Segundo ele, a falta de alinhamento político foi um dos fatores que dificultaram a continuidade de iniciativas da Gastromotiva em determinado momento.

Fé e esperança como motores de transformação

Em uma fala carregada de simbolismo, Padre Omar reforçou a importância da solidariedade e da ação prática diante das desigualdades sociais.

“Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber. A partir do Cristo, olhamos tudo com amor. Não desanime, precisamos alimentar a esperança”, declarou.

O religioso também destacou a necessidade de ampliar oportunidades, especialmente para populações vulneráveis. “Em termos de serviço público, ainda carecemos de oportunidades. Iniciativas como programas de jovem aprendiz e ações voltadas à população em situação de rua são caminhos possíveis”, disse.

A importância das políticas públicas e da ação coletiva

Padre Omar trouxe ainda reflexões baseadas na doutrina social da Igreja, destacando três princípios fundamentais: solidariedade, bem comum e subsidiariedade.

Segundo ele, a subsidiariedade, conceito que envolve a atuação conjunta de instituições, sociedade civil e terceiro setor, é essencial para suprir lacunas deixadas pelo poder público, sem eximir o Estado de sua responsabilidade.

“Não há necessidade de existir fome em um país como o Brasil, com tanta riqueza e capacidade produtiva. Precisamos de políticas públicas consistentes, contínuas e bem estruturadas”, afirmou.

Conexão humana no centro das soluções

Em um dos momentos mais marcantes do encontro, David Hertz reforçou que o combate à fome vai além da distribuição de alimentos e passa pela reconexão entre as pessoas.

“Não é a falta de alimento que nos limita, mas a incapacidade de nos reconhecermos no outro. O meu trabalho é alimentar a humanidade com humanidade”, destacou.

O empreendedor também defendeu o fortalecimento do trabalho em rede como caminho para ampliar o impacto social. “Nosso papel não é apenas entregar soluções, mas construir governança para que mais pessoas possam fazer parte dessa transformação”, completou.

Um chamado à ação

Encerrando o encontro, os participantes reforçaram a importância da colaboração entre empresas, instituições e sociedade para enfrentar desafios estruturais como a fome e a desigualdade.

A mensagem final foi clara: o varejo supermercadista, aliado a iniciativas sociais e à construção de políticas públicas eficazes, pode desempenhar um papel decisivo na promoção de um futuro mais justo e sustentável.

Tecnologia, dados e estratégia: o caminho para vender mais e melhor

Tecnologia, dados e estratégia: o caminho para vender mais e melhor

O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) teve continuidade com a palestra “Somos todos vendedores: dados que movem o lucro”, ministrada por Priscila Ariani, da diretora de Marketing da Scanntech. A apresentação trouxe uma reflexão central: no varejo supermercadista, todas as áreas da empresa impactam diretamente as vendas e os dados são o elo que conecta estratégia, operação e resultado.

Logo no início, a executiva destacou que o conceito de vendas vai além do setor comercial. “Toda a empresa está voltada para o mesmo núcleo, que começa com vendas. Não é apenas vender mais por vender, mas vender melhor, fidelizar o consumidor e aumentar a margem”, afirmou.

Cultura orientada por dados
A Scanntech, segundo Priscila, atua conectando-se via API aos sistemas dos varejistas, capturando informações de vendas diretamente dos caixas. Com isso, a empresa analisa dados “ticket a ticket”, formando uma base robusta de inteligência de mercado.

Atualmente, a companhia lê cerca de R$ 1,1 trilhão em vendas por ano — o equivalente a aproximadamente 9% do PIB brasileiro, sendo R$ 971 bilhões concentrados no varejo supermercadista. “É uma base extremamente representativa, que permite entender o comportamento do shopper e transformar isso em eficiência operacional e aumento de margem”, explicou.

A executiva reforçou que empresas orientadas por dados apresentam desempenho superior. Segundo ela, supermercadistas que utilizam a plataforma crescem, em média, até 9 pontos percentuais a mais do que aqueles que ainda tomam decisões baseadas apenas na intuição.

Precificação estratégica: equilíbrio entre margem e competitividade
Um dos exemplos práticos apresentados foi o impacto da precificação. Priscila destacou que o preço é um dos principais fatores para equilibrar competitividade e rentabilidade.

A estratégia passa pela classificação de produtos em curvas A, B e C:

  • Curva A: itens de alto giro e formadores de imagem de preço (cerca de 50% do faturamento);
  • Curva B: produtos intermediários;
  • Curva C: itens com menor impacto na percepção de preço.

A partir dessa segmentação, um varejista pode definir estratégias específicas, como manter preços competitivos na curva A e trabalhar margens maiores nas demais. Com o uso de dados de mercado, é possível ajustar esses posicionamentos com precisão.

“Sem tecnologia, é inviável monitorar milhares de itens e concorrentes. Com dados, o varejista deixa de ‘achar’ e passa a decidir com segurança”, destacou.

Gestão de sortimento e impacto direto no resultado
Outro case apresentado mostrou como a análise de dados pode melhorar o sortimento. Ao identificar produtos relevantes no mercado que não estavam presentes nas lojas, uma rede conseguiu otimizar categorias e aumentar a eficiência.

O resultado foi um crescimento de 1% no faturamento, além de ganho adicional de 0,2 ponto percentual na margem.

“Não se trata de ter tudo, mas de saber exatamente o que faz sentido ter e por quê”, explicou Priscila.

Ruptura: o inimigo invisível das vendas
A palestra também abordou o impacto da ruptura — quando o produto não está disponível na gôndola. Em um dos exemplos, uma rede apresentava índice de ruptura de 13%, quase o dobro da média de mercado, de 6,8%.

O problema, muitas vezes, não era falta de produto, mas falhas operacionais, como estoque virtual ou itens fora da gôndola.

“Cada ruptura representa venda perdida, cliente insatisfeito e perda de lealdade”, ressaltou.

Com o uso de dados, a empresa conseguiu identificar falhas, corrigir processos de abastecimento e negociar melhorias com a indústria. O resultado foi a redução da ruptura para níveis abaixo da média do mercado e a reversão de queda nas vendas para crescimento acima do setor.

Integração entre áreas impulsiona resultados
A principal mensagem da palestra foi a necessidade de integração entre áreas como pricing, gestão de categorias e abastecimento.

“Mesmo quem não está diretamente em vendas é responsável pelo resultado. Somos todos vendedores”, reforçou.

Ao combinar apenas três frentes — precificação, sortimento e abastecimento —, o case apresentado mostrou crescimento de 2% no faturamento e aumento de 1 ponto percentual no lucro.

Transformação cultural como diferencial competitivo
Para Priscila, o maior desafio não é tecnológico, mas cultural. A adoção de uma mentalidade orientada por dados precisa partir da liderança e se espalhar por toda a organização.

“Quando o varejista deixa a transformação por dados para depois, está deixando dinheiro na mesa. E o pior: outros não estão”, alertou.

A executiva encerrou destacando que a tecnologia já está disponível — e que a diferença competitiva está na capacidade de utilizá-la de forma estratégica.

NR-1 coloca saúde mental no centro e acende alerta jurídico no varejo supermercadista

NR-1 coloca saúde mental no centro e acende alerta jurídico no varejo supermercadista

O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) teve continuidade com a palestra “Da Norma à Cultura: O Desafio da NR-1 nas Operações de Varejo”, ministrada pela advogada trabalhista Dra. Bárbara Ferrari. A especialista trouxe um panorama prático sobre as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e alertou: a fiscalização mais efetiva começa a partir de 26 de maio.

Segundo ela, a atualização da NR-1, que historicamente tratava de riscos físicos, químicos e biológicos, passou a incorporar os riscos psicossociais como elemento central das relações de trabalho. “Não é uma norma que surgiu do nada. Ela responde a um aumento consistente de adoecimentos mentais ligados ao trabalho ao longo dos últimos anos”, destacou.

Dados apresentados pela especialista mostram a dimensão do problema. Em 2012, cerca de 213 mil afastamentos estavam relacionados a doenças mentais. Após a pandemia de Covid-19, os números cresceram significativamente, chegando a mais de 470 mil casos em 2024 e ultrapassando 520 mil afastamentos em 2025. Transtornos de ansiedade (65%), depressão (58%) e burnout (35%) lideram as ocorrências.

Além disso, mais de 12 milhões de dias de trabalho foram perdidos em 2022 por questões ligadas à saúde mental, evidenciando o impacto direto tanto para empresas quanto para o sistema previdenciário.

Da obrigação legal à mudança cultural

Bárbara Ferrari reforçou que o principal erro das empresas ao lidarem com a nova NR-1 é tratá-la apenas como uma exigência documental. “Não basta incluir o risco psicossocial no PGR. O Ministério do Trabalho exige ação: identificar, monitorar e, principalmente, mitigar esses riscos”, afirmou.

Nesse contexto, a implementação da norma exige integração entre diferentes áreas, como Recursos Humanos, jurídico e operações. Para a especialista, o RH assume papel estratégico: “Hoje, o RH é parte da gestão do negócio. Sem ele, não há mudança de cultura — e sem cultura, a NR-1 não funciona”.

Impactos jurídicos e financeiros

O descumprimento da norma pode gerar consequências relevantes. Embora multas administrativas possam partir de cerca de R$ 20 mil, o maior risco está nas ações coletivas e individuais. “Indenizações por danos morais, pensões vitalícias e ações civis públicas podem alcançar valores milionários”, alertou.

Outro ponto crítico é o impacto no Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que pode elevar a carga tributária das empresas conforme o número de afastamentos registrados. Além disso, a reputação corporativa também entra em jogo, dificultando a atração e retenção de talentos.

O que são os riscos psicossociais

Entre os principais riscos psicossociais no ambiente de trabalho, a especialista destacou:

  • Assédio moral, sexual e político
  • Relações interpessoais deterioradas
  • Falta de clareza nas funções
  • Lideranças despreparadas
  • Jornadas excessivas e metas abusivas
  • Eventos traumáticos no ambiente de trabalho

No varejo supermercadista, fatores como contato direto com o público, tarefas repetitivas, falhas na gestão de escalas e deficiência na comunicação agravam esse cenário.

Caminhos para a implementação

Para atender às exigências da NR-1, Ferrari sugere um conjunto de ações práticas:

  • Diagnóstico do ambiente organizacional
  • Aplicação de questionários anônimos validados
  • Realização de grupos focais com մասնissionais especializados
  • Monitoramento de indicadores como absenteísmo
  • Criação de políticas institucionais claras
  • Implantação de canais seguros de denúncia
  • Treinamento contínuo de lideranças

“Sem treinamento de liderança, não existe NR-1 efetiva. A comunicação dentro das empresas precisa ser clara, respeitosa e alinhada à cultura organizacional”, enfatizou.

Mais do que norma, estratégia de negócio

Encerrando a apresentação, a especialista destacou que a NR-1 deve ser vista como uma oportunidade estratégica. “Não se trata apenas de cumprir uma obrigação legal. É sobre garantir a saúde do trabalhador e, consequentemente, a sustentabilidade do negócio”, concluiu.

A palestra reforçou que, em um cenário de crescente atenção à saúde mental, o varejo supermercadista precisará ir além do cumprimento formal da legislação e investir, de fato, em ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.

Como FIDCs ganham espaço e transformam área financeira em motor de lucro no varejo

Como FIDCs ganham espaço e transformam área financeira em motor de lucro no varejo

O terceiro dia do palco Varejo & Negócios da Super Rio Expofood (SRE) trouxe à tona um tema estratégico para o futuro das empresas: a gestão financeira como alavanca de competitividade. Em palestra com o tema “Estrutura Financeira Importa: o papel do braço financeiro e dos FIDCs proprietários na sustentabilidade e competitividade das empresas”, Tiago Martinelli, coordenador de Novos Negócios da Catálise, apresentou como grandes grupos têm transformado a área financeira em um verdadeiro motor de geração de valor.

Segundo o especialista, empresas que estruturam um braço financeiro próprio conseguem capturar margens que, tradicionalmente, seriam destinadas a bancos e instituições financeiras. “Quando uma empresa vende a prazo ou negocia com fornecedores, ela já está realizando uma atividade financeira. O que muda agora é que, com estruturas como os FIDCs proprietários, ela passa a internalizar esses ganhos”, explicou.

Martinelli destacou que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) têm ganhado espaço no Brasil por permitirem que empresas financiem suas próprias operações com mais eficiência e menor custo. “Hoje, as empresas não precisam mais montar um banco ou uma financeira. Com fundos estruturados, é possível criar uma operação robusta, com gestão especializada e maior competitividade”, afirmou.

O executivo também ressaltou o impacto direto na saúde financeira das companhias, especialmente aquelas enquadradas no regime de lucro real. Ao transformar parte das receitas em despesas financeiras — por meio da antecipação de recebíveis dentro do próprio grupo — as empresas conseguem reduzir a base de tributação. “Não se trata apenas de economia fiscal, mas de inteligência financeira. É uma forma de preservar caixa, aumentar a rentabilidade e reinvestir no negócio”, pontuou Tiago Martinelli.

Outro ponto abordado foi o potencial dos FIDCs para financiar toda a cadeia produtiva, desde clientes até fornecedores e colaboradores. “A empresa passa a ter autonomia para gerir crédito, antecipar pagamentos, financiar estoques e até oferecer crédito consignado aos funcionários. É uma mudança de mentalidade: o negócio deixa de depender exclusivamente dos bancos e assume o controle da sua própria estrutura financeira”, disse o especialista.

De acordo com Martinelli, o avanço desse modelo já é visível no mercado. Grandes empresas brasileiras e multinacionais têm adotado estruturas semelhantes para otimizar resultados e ganhar escala. “Estamos falando de uma indústria que já se aproxima de R$ 1 trilhão no Brasil. É uma transformação silenciosa, mas extremamente relevante para a competitividade das empresas”, destacou.

Por fim, o especialista reforçou que a implementação desse tipo de estrutura exige governança, tecnologia e integração de sistemas, mas pode ser decisiva para o crescimento sustentável das companhias. “As empresas que entenderem o papel estratégico da área financeira sairão na frente. Não é mais só sobre vender mais, mas sobre ganhar melhor”, concluiu Tiago Martinelli.

Rodada de Negociação do Prezunic movimenta terceiro dia da SRE; veja os principais momentos

Rodada de Negociação do Prezunic movimenta terceiro dia da SRE; veja os principais momentos

O terceiro dia da SRE Super Rio Expofood 2026 começou em ritmo acelerado com a realização da Rodada de Negociação do Prezunic, reunindo colaboradores da rede e parceiros da indústria em um ambiente marcado por integração e novidades para o ano, apresentadas pelo diretor geral do Prezunic e SPID, Gerson Estevam, e pela diretora comercial, Patrícia Rotelli.

Na ocasião, eles destacaram o compromisso da empresa com inovação, crescimento sustentável e fortalecimento das relações com a indústria. O evento tem como objetivo fortalecer o relacionamento com os parceiros e abrir espaço para oportunidades de negócios.

Durante o encontro, o presidente da ASSERJ e da ALAS, Fábio Queiróz, reforçou a importância da colaboração entre varejo supermercadista e indústria, destacando o papel estratégico do uso de dados e da confiança mútua. Segundo ele, o futuro do setor passa por um CRM integrado e pelo compartilhamento responsável de informações. “A confiança recíproca é uma das chaves para ganhar esse jogo”, afirmou, ao alertar também para a importância da proteção de dados e do uso consciente da LGPD.

Queiróz ainda chamou atenção para as mudanças no comportamento do consumidor, impulsionadas pelo avanço do digital e por fatores sazonais, como eventos e calendário comercial. Ele destacou que a loja física precisa evoluir para se tornar um espaço de experiência, onde o cliente escolha estar, e não apenas vá por necessidade. Dados apresentados durante o encontro apontam que 42% da nova geração já realiza compras online no setor de forma geral, o que reforça a necessidade de adaptação do varejo, com lojas mais estratégicas e integradas a novas dinâmicas de consumo.

Outro ponto enfatizado por Fábio foi a importância de práticas mais estruturadas na relação entre indústria e varejo, como o fortalecimento de JBP (Joint Business Plan) e JVC (Joint Value Creation), com foco em geração de valor e não apenas em preço. “O preço é indissociável do varejo, mas é o valor que cada vez mais ganha esse jogo”, destacou o executivo.

A Rodada de Negócios também contou com a premiação de indústrias parceiras, reconhecendo empresas que se destacaram na construção de resultados junto à rede. Representantes do setor reforçaram a relevância do Prezunic como parceiro estratégico no mercado do Rio de Janeiro.

Pedro Henrique Cerqueira, gerente de vendas da Nestlé, destacou o papel da rede como uma bandeira inovadora. “Saímos daqui com a cota fechada e com a certeza de bons negócios”, afirmou. Já Claudinei Lopes, da Marquespan, ressaltou a relação histórica com o Prezunic, que acompanha a trajetória da empresa no estado há mais de uma década. “É uma parceria consolidada e de grande importância para o nosso crescimento”, disse.

Para Florivaldo Júnior, diretor comercial da BRF, a parceria com o Prezunic fortalece a presença das marcas no mercado fluminense. “Associar marcas como Sadia, Perdigão e Qualy a parceiros fortes como o Prezunic é fundamental para o nosso desempenho na região”, destacou.

Outro parceriro presente foi Henrique Macedo, supervisor de Marketing da Coca-Cola Andina. Segundo ele, a parceria com o Prezunic se consolida pela forma estruturada e integrada de atuação entre as áreas de mídia e comercial, o que potencializa os resultados. “A nossa experiência tem sido muito positiva. É uma relação que vem impulsionando não só os resultados da nossa indústria, mas de toda a categoria de bebidas”, afirmou.

A abertura do terceiro dia da SRE com a Rodada de Negócios do Prezunic reforça o papel do evento como um ambiente estratégico para geração de oportunidades, fortalecimento de relações comerciais e construção conjunta de soluções para os desafios do varejo supermercadista.

Não viu? Confira os principais destaques do segundo dia da SRE Super Rio Expofood

Não viu? Confira os principais destaques do segundo dia da SRE Super Rio Expofood

O segundo dia da Super Rio Expofood (SRE) foi marcado por uma programação intensa, que reuniu conteúdo estratégico, troca de experiências e momentos de integração entre lideranças do varejo supermercadista das Américas. Entre debates sobre tecnologia, comportamento do consumidor, gestão de pessoas e novas fontes de receita, o evento reforçou os caminhos que estão redesenhando o setor.

A manhã começou em clima de conexão e encantamento com uma visita especial ao Cristo Redentor. A comitiva da Associação das Américas de Supermercados (ALAS), composta por cerca de 60 representantes, participou do passeio, fortalecendo o relacionamento entre os países e o espírito de integração do encontro. Para os participantes, a experiência foi um dos pontos altos do dia, unindo cultura, simbolismo e networking.

No palco principal, o conteúdo teve início com Chris Rynning, sócio-gerente da AMYP Ventures, que abordou o papel da inteligência artificial como motor da inovação no varejo. Em sua palestra, destacou como a tecnologia vem acelerando a experiência do cliente, tornando as jornadas de compra mais personalizadas, eficientes e conectadas às novas demandas do consumidor.

Na sequência, Theo, influenciador digital, trouxe uma abordagem mais comportamental ao defender que a simplicidade pode ser um diferencial competitivo. Com o tema “Ser Feliz no Simples Vende Mais”, ele mostrou como experiências descomplicadas e autênticas podem gerar resultados extraordinários tanto no varejo supermercadista quanto no food service.

Já no palco SRE Expertise – Varejo & Negócios, os debates aprofundaram questões centrais para o setor. Abrindo a programação, André Dias, do Supermarket, e Domênico Filho, da Nielsen, discutiram o avanço do retail media. O painel provocou uma reflexão importante: o varejo passou a ocupar um novo papel estratégico como dono da audiência, transformando seus canais em plataformas de mídia altamente valiosas para a indústria.

formação e retenção de mão de obra também ganhou destaque em um dos painéis mais sensíveis do dia. Conduzida por Rose Pavan, da Checkout RH, com participação de Pedro Santos, a discussão evidenciou um cenário desafiador. Segundo os especialistas, a dificuldade de contratação deixou de ser pontual e se tornou estrutural, impactando diretamente a operação das lojas. A alta rotatividade, aliada à escassez de profissionais, exige novas estratégias de atração, capacitação e engajamento.

As transformações no comportamento do consumidor e as pressões do cenário global foram o foco da terceira palestra, mediada por Ronald Nossig, com participações de Fábio Acayaba e Carolina Augusto. O painel destacou a crescente complexidade do varejo supermercadista, impulsionada por fatores como mudanças demográficas, escassez de mão de obra e um consumidor cada vez mais exigente e informado.

Na sequência, o avanço das marcas próprias foi apresentado como um dos principais diferenciais competitivos do setor. Antônio Sá, da AMICCI, e Rodrigo Fonseca, do Supermarket Alvorada, mostraram como esse modelo já está consolidado em mercados internacionais e ganha força no Brasil. Exemplos como o da rede Mercadona ilustram o potencial da estratégia, com um portfólio majoritariamente composto por marcas próprias e forte liderança de mercado.

Encerrando a programação, Brenda Larissa, diretora de Marketing do Supermarket Torre, trouxe uma reflexão provocadora sobre o papel do trade marketing. Em um cenário de excesso de estímulos, a disputa deixou de ser apenas por preço e passou a ser pela atenção e memória do consumidor. Segundo a executiva, as marcas têm apenas alguns segundos para gerar impacto e se tornarem relevantes — um desafio que exige criatividade, estratégia e foco na experiência.

Ao longo do dia, a SRE mostrou que o futuro do varejo supermercadista passa pela integração entre tecnologia, gestão de pessoas e experiências memoráveis. Mais do que acompanhar tendências, o setor é chamado a se reinventar continuamente para atender um consumidor em constante transformação. Confira a programação do último dia AQUI!